Crescendo na graça e no conhecimento

Lições 4.o Trimestre 2013

Lições 4.o Trimestre 2013
Conselhos para a vida

Lição 1 - O Valor dos Bons Conselhos
Lição 2 - Advertências Contra o Adultério
Lição 3 - Trabalho e Prosperidade
Lição 4 - Lidando de Forma Correta com o Dinheiro
Lição 5 - O Cuidado com Aquilo que Falamos
Lição 6 - O Exemplo Pessoal na Educação dos Filhos
Lição 7 - Contrapondo a Arrogância Com a Humildade
Lição 8 - A Mulher Virtuosa
Lição 9 - O Tempo para Todas as Coisas
Lição 10 - Cumprindo as Obrigações Diante de Deus
Lição 11 - A Ilusória Prosperidade dos Ímpios
Lição 12 - Lança o teu Pão Sobre as Águas
Lição 13 - Tema a Deus em todo o Tempo

Comentarista:

José Gonçalves - Pastor, Professor de Teologia, Escritor e Vice-presidente da Comissão deApologética da CGADB; Comentarista das revistas de Escola Dominical da CPAD.

2 de março de 2013

ELIAS NO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO


Naquele dia por algum motivo apenas quatro pessoas compareceram ao Culto de Oração.
Uma frequência bem pequena. Assim como no Culto Matutino, nas consagrações, círculos de oração, é quase sempre assim. Na verdade Deus chama a todos nós para orarmos sempre. Mas reserva momentos momentos especiais quando apenas uns poucos chamados são agraciados com Sua revelação.

Deus não tem prediletos, mas tem chamado cada em particular para se revelar de maneira pessoal, especial e única. Este grau de intimidade também depende do quanto nos aproximamos Dele, queremos estar com Ele, oramos, meditamos em Sua palavra e, acima de tudo, O amamos.

Aquele culto aconteceu em um monte, mas poderia ser em casa, no templo, pois qualquer lugar é lugar para buscar ao Senhor. O dirigente do culto, Jesus Cristo, convida mais três, Pedro Tiago e João, para se reunirem em oração:

E aconteceu que, quase oito dias depois destas palavras, [Jesus] tomou consigo a Pedro, a João e a Tiago, e subiu ao monte a orar. Lucas 9:28.
Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte.  Mateus 17:1

Começaram a vigília quando em meio à oração algo sobrenatural ocorreu:

E, estando ele orando, transfigurou-se a aparência do seu rosto [de Jesus], e a sua roupa ficou branca e mui resplandecente. Lucas 9:29

A razão daquela reunião era a busca ao Senhor. A resposta de Deus em sua muliforme graça foi se revelar de maneira sobrenatural em meio a um singelo momento de oração, sem programação humana, sem manipulação, sem a intenção de buscar uma experiência mística.  Os apóstolos não foram buscar esta manifestação, mas foram assim agraciados.

Jesus se revela, em uma espécie de metamorfose, como o Deus verdadeiro na plenitude da Sua glória da qual se esvaziou tomando forma de homem para viver como um de nós, sem jactanciar-se de que era o filho de Deus, mas humilhou-se a si mesmo tomando forma de homem e sendo obediente até a morte e morte de cruz.  (Filipenses 2.8)

E eis que estavam falando com ele dois homens, que eram Moisés e Elias, os quais apareceram com glória, e falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém.

Um ponto de difícil interpretação surge nesta narrativa. Quem seriam de fato aquelas personagens? O próprio Elias, Moisés, seres angelicais, ou um tipo?

A teologia nos ensina que a interpretação bíblica pode ser literal, direta ou figurada, alegórica.  Quando Jesus disse “Eu sou a porta” notadamente ele falava de maneira figurada. Assim dentro do sentido deste texto, a maioria dos estudiosos apontam para estas duas figuras de Elias e Moises como um exemplo de tipologia bíblica.

Moisés seria um tipo representando a antiga aliança, o Antigo Testamento; e Elias representa os profetas.  Ambos, a lei e os profetas apontavam sempre para o Messias:

“Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.” Romanos 3:21-22

Não se pode portanto desta maneira usar este trecho isolado como prova da reencarnação ou da oração pelos mortos.

O tema central deste diálogo apontava para a iminente partida do Senhor. Tão significativo quanto a visão da glória de Cristo era o atentar para a mensagem do diálogo entre os personagens que tratavam da perspectiva do porvir. Assim Jesus estaria cumprindo, consumando de maneira plena a sua missão na terra.  

Hoje, o foco principal da Igreja em sua mensagem e em todas as suas reuniões deve ser o encorajar, alertar e relembrar que o Senhor morreu, ressuscitou e vai voltar. O foco da Igreja é anunciar a bendita esperança da volta do mestre. E assim viver com esta esperança.

E aconteceu que, quando aqueles se apartaram dele, disse Pedro a Jesus: Mestre, bom é que nós estejamos aqui, e façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés, e uma para Elias, não sabendo o que dizia.

Tem cultos nos quais que sentimos de tal forma a presença do Senhor de modo sobrenatural, de modo extático, na manifestação de dons, profecias, palavra revelada, cânticos ungidos, enfim, um mover do Espírito tal que ficamos extasiados a ponto de nos sentirmos flutuando. Estes momentos particulares nos alegram de tal modo que desejamos que nunca se acabem. Foi o que ocorreu com os três amigos de Cristo. Pedro, contagiado com a manifestação da glória de Deu,s adorou ao Senhor dizendo que seria bom que permanecerem ali.

Mas aquele era um momento particular, um momento de revelação singular, não uma rotina, mas uma manifestação divina apontando para o alerta de que precisamos ter como foco principal o atentar, o ouvir a Palavra do Senhor:

E, dizendo ele isto, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e, entrando eles na nuvem, temeram. E saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho; a ele ouvi.

Acima da revelação sobrenatural está a necessidade de ouvir a voz do Senhor. Obedecer a sua Palavra.
Aqui cabe lembrarmos que somos pentecostais e como tal cremos nas manifestações sobrenaturais do Senhor em Sua Igreja através da ação do Espírito Santo.

Com o passar do tempo talvez por falta de uma formação bíblica mais sólida, para alguns a inclinação para o sobrenatural foi tomando a primazia em lugar da Palavra.  As reuniões nas casas e nos montes foram se tornando mais importantes do que a oração na igreja, o estudo sistemático da palavra na EBD, o atentar ao ensino doutrinário do pastor.

Por outro lado, talvez com base na preocupação com a multiplicação das práticas consideradas “meninice”, a Igreja por sua vez incorreu em outro perigo. Limitar ou mesmo proibir a prática sincera da manifestação de suas revelações, profecias, e assim o culto pentecostal corre o perigo de ter uma liturgia engessada, sem espaço para o operar pleno do Espírito.

Estes são dois extremos que precisam ser evitados. Mas o Espírito faz como quer e Ele ainda opera de maneira sobrenatural em nosso meio.

Outro motivo para não ficarem para sempre no monte é que a obra na terra em favor dos homens ainda precisava continuar. Enquanto Pedro, Tiago e João estavam no monte, os outros discípulos enfrentavam a luta para libertar um jovem endemoninhado.

Os momentos de manifestação da glória de Deus nos servem para estarmos atentos para o que o Senhor nos fala a respeito do que fazermos em Sua obra. Quando desceram do monte da revelação se defrontaram com a dura realidade da vida.

Tem gente escravizada, precisando de Jesus, o Deus da glória que se revela em nossas vidas. Com objetivo não de atender a um desejo egoísta de um contato sobrenatural com Deus, mas como uma prova de que em nome do Senhor cheio da glória, vindo do céu, podemos libertar os cativos, curar os enfermos e proclamar o evangelho da salvação.  

18 de fevereiro de 2013

O LEGADO DE ELIAS

INTRODUÇÃO

O profeta Elias marcou toda uma geração e a história do profetismo em Israel ao defender a preservação da adoração ao único e verdadeiro Deus, Jeová, durante o reinado idólatra do rei Acabe, em meio a uma cultura dominada pela adoração a Baal.

Seu nome e atitude foram lembrados séculos depois e permanecem presentes: primeiro quando Malaquias profetizou a respeito de outro profeta que viria a ministrar com a mesma virtude e zelo. Este homem de Deus veio e pregou em meio ao deserto, seu nome, João Batista. Ele foi reconhecido pelo Senhor Jesus Cristo como o profeta enviado que operou à semelhança de Elias.

Elias deixou também as marcas de um legado de humildade quando da sua saída do cenário religioso de Israel. Antes de ser arrebatado aos céus, reconheceu o tempo da partida, e escolheu e preparou o seu sucessor ouvindo e atendendo a orientação do Senhor.

Conforme se depreende do texto, identificamos um processo progressivo na sucessão de Elias que seguiu uma sequência dentro de uma cronologia divina e assim bem sucedida.

UM CAMINHO PARA A SUCESSÃO



A QUESTÃO DO TEMPO DA MUDANÇA

Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Eclesiastes 3.1
O mundo este semana foi sobressaltado com o comunicado da renúncia do cardeal Joseph Alois Ratzinger, o papa Bento XVI. Líder máximo da Igreja Católica assim se expressou em seu comunicado oficial:
Leia a íntegra do comunicado do Papa Bento XVI:

"Queridíssimos irmãos,

Convoquei-os a este Consistório, não só para as três causas de canonização, mas também para comunicar-vos uma decisão de grande importância para a vida da Igreja.

Após ter examinado perante Deus reiteradamente minha consciência, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério petrino. Sou muito consciente que este ministério, por sua natureza espiritual, deve ser realizado não unicamente com obras e palavras, mas também e em não menor grau sofrendo e rezando.

No entanto, no mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevo para a vida da fé, para conduzir a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de tal forma que eis de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o ministério que me foi encomendado.

Por isso, sendo muito consciente da seriedade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao Ministério de Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, que me foi confiado por meio dos Cardeais em 19 de abril de 2005, de modo que, desde 28 de fevereiro de 2013, às 20 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro ficará vaga e deverá ser convocado, por meio de quem tem competências, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Queridíssimos irmãos, lhes dou as graças de coração por todo o amor e o trabalho com que levastes junto a mim o peso de meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos.

Agora, confiamos à Igreja o cuidado de seu Sumo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e suplicamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista com sua materna bondade os Cardeais a escolherem o novo Sumo Pontífice. Quanto ao que diz respeito a mim, também no futuro, gostaria de servir de todo coração à Santa Igreja de Deus com uma vida dedicada à oração.

Vaticano, 10 de fevereiro 2013." Fonte: http://app.folha.com/m/noticia/210070



Até então apenas um líder católico havia renunciado na história da instituição. Reconhecendo suas limitações humanas, Bento XVI quebrou a regra habitual e decidiu sair de cena nestes tempos difíceis.

Momentos de crises no exercício do ministério na vida de Elias também ocorreram a ponto de levá-lo à  Caverna. Em seguida veio a revelação de Deus, dizendo-lhe que chegara o tempo de passar o bastão para o sucessor. Haviam cessado os feitos de manifestação do poder de Deus através do ministério de Elias em confrontação à idolatria do povo oficializada Acabe. O tempo do ministério profético estava se findando. Estava chegando o momento de se levantar outro homem de Deus para dar continuidade ao serviço em defesa da causa do Senhor.

Às vezes a solidão na caverna revela que o tempo de Deus está chegando; resta tão somente esperar a orientação divina para agir.


O PERIGO DO APEGO

Saul foi escolhido por Deus e ungido pelo profeta Samuel para se tornar o primeiro Rei de Israel. Saul a princípio seguiu a orientação divina através do profeta. Quando no entanto começaram a surgir as dificuldades, Saul infelizmente se precipitou e assim perdeu lhe foi anunciado a saída antes do tempo previsto.

Por sua vez a condição humana de Saul lhe fez se apegar ao reinado e assim dificultar a transição para o seu sucessor, que já fora escolhido por Deus, ungido pelo profeta Samuel e reconhecido e aprovado pelo povo. Uma transição delicada que ocorreu em meio a dificuldades.

Vemos exemplos de pessoas que perdem a oportunidade de desenvolverem os seus dons e talentos em outras áreas do ministério ou mesmo em outro lugar por conta do zelo demasiado por sua posição atual. Assim gastaram muitas energias e se desgastaram diante de um conjunto, de uma classe de EBD ou mesmo dirigindo qualquer outro trabalho. O homem e a mulher de Deus tem o Espírito Santo de Deus em sua vida para dar a orientação de começar e também de terminar. Da mesma forma os homens não podem se antecipar e se retirarem ou serem afastados sem chegar o devido tempo do Senhor. É preciso o discernimento do Espirito neste momento para a tomada de decisão ou o aguardo por ela.

Quando Jesus Cristo começou a anunciar o evangelho alguns discípulos de João Batista ficaram preocupados com o fato de alguns de seus discípulos estarem o deixando para seguir a Jesus. João Batista, conhecedor do tempo de Deus, deu prova de total:

E foram ter com João, e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele. João respondeu, e disse: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu. Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim, pois, já este meu gozo está cumprido. É necessário que ele cresça e que eu diminua. Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos. João 3:26-31

O apóstolo Paulo chegou à reta final do ministério combatendo o bom combate com o senso do dever cumprido:

Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda. 2 Timóteo 4:6-8

O apóstolo Pedro quando do reencontro com o Senhor Jesus Cristo ressurreto, foi convocado para exercer o ministério de pastorear as ovelhas do Senhor, sendo alertado de que ao final iria sofrer pela causa bendita do evangelho:

Disse-lhe [Jesus] terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras. E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me. João 21:17-19


MOMENTO DE DECISÃO

No caso de Elias e Eliseu o processo seguiu um modelo semelhante. O Senhor fala de maneira clara ao profeta:

E ali entrou numa caverna e passou ali a noite; e eis que a palavra do SENHOR veio a ele, e lhe disse: Que fazes aqui Elias? E ele disse: Tenho sido muito zeloso pelo SENHOR Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada, e só eu fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem. I Reis 19.9 e 10

Havia algo ainda a ser feito através do ministério de Elias. A tristeza e a dor do sentimento de aparente abandono e isolamento trouxe ao coração de Elias a tristeza e angústia que o levou a se fechar na caverna e até desejar a morte. Mas crente fiel só morre no tempo, crente fiel só morre quando os planos de Deus se cumprem em sua vida. Ainda não era tempo de parar. Ainda havia uma obra a ser feita, preparar a sucessão ministerial para que o povo não sofresse.

E Deus lhe disse: Sai para fora, e põe-te neste monte perante o SENHOR. E eis que passava o SENHOR, como também um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas diante do SENHOR; porém o SENHOR não estava no vento; e depois do vento um terremoto; também o SENHOR não estava no terremoto; E depois do terremoto um fogo; porém também o SENHOR não estava no fogo; e depois do fogo uma voz mansa e delicada. I Reis 19. 11 e 12.

Deus nos convida a sairmos da escuridão da caverna que cega o nosso entendimento e percepção do que ocorre em nosso redor. Para enxergarmos Sua glória e assim reconhecermos que ele ainda está no controle da história, apesar das dificuldades e desgastes da vida. As circunstâncias ao redor, o vento, o terremoto, convidam-nos para estarmos alertas de que o Senhor está vendo tudo e vai falar conosco trazendo a sua orientação.

E sucedeu que, ouvindo-a Elias, envolveu o seu rosto na sua capa, e saiu para fora, e pôs-se à entrada da caverna; e eis que veio a ele uma voz, que dizia: Que fazes aqui, Elias? I Reis 19.13

Deus atua em nossa geografia espiritual. Ele sabe não apenas o nosso endereço residencial mas também conhece por onde está pousando a nossa mente, o nosso pensamento, as nossas preocupações, as nossas dúvidas, a nossa falta de direção. E assim o Senhor fla com Elias para dar-lhe a direção do que fazer. Elias volta às origens no monte Horebe para que Deus fale consigo.

É melhor que voltemos às origens para entendermos como agir, voltar ao ensino e exemplos da Palavra, voltar à oração, voltar assembleia dos santos para deliberar em torno da obra do ministério, voltar aos princípios bíblicos para que as decisões sejam tomadas conforme o Assim diz o Senhor!

E ele disse: Eu tenho sido em extremo zeloso pelo SENHOR Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada, e só eu fiquei; e buscam a minha vida para ma tirarem. I Reis 19.14

Elias ainda estava vendo as sombras da caverna do aparente abandono combatendo contra a idolatria do povo de Deus. O isolamento no ministério é apenas aparente. Ainda havia 7000 homens que não se dobraram perante baal. Às vezes aqueles que estão perto de nós nos abandonam, mas o Senhor não nos deixa sós; Ele levanta outros, mesmo distantes, para combaterem o mesmo combate, defenderem a mesma fé, viverem o mesmo Evangelho.


ORAÇÃO E ORIENTAÇÃO DIVINA NO PROCESSO DE SUCESSÃO

Moisés, vendo a necessidade da obra, clamou ao Senhor por orientação quando da decisão de escolher seu sucessor para a condução do povo:

Então falou Moisés ao SENHOR, dizendo: O SENHOR, Deus dos espíritos de toda a carne, ponha um homem sobre esta congregação, Que saia diante deles, e que entre diante deles, e que os faça sair, e que os faça entrar; para que a congregação do SENHOR não seja como ovelhas que não têm pastor. Números 27.15-17

Moisés buscou ao Senhor em oração a pedir orientação e revelação do homem certo a ser escolhido para continuar a conduzir o povo até a terra que mana leite e mel.

Todas as decisões na Igreja precisam ser precedidas de oração, quanto mais quando da escolha de líderes para o rebanho. O ministério tem a autoridade de apenas confirmar o chamado de Deus. Para que isto ocorra é preciso orar. Seja para escolher um porteiro, um líder de um departamento, a regente de um conjunto, um dirigente de congregação, o presidente da Convenção-Geral. A forma diverge de uma situação para outro, de uma circunstância para outra. O importante é que a chamada divina seja confirmada. O que passar disso não passa de decisões humanas, passíveis de falhas. Mas quando o Senhor vai à frente, tudo vai bem.

À semelhança de Moisés, depois que ouviu a voz do Senhor, Elias agiu. E foi ao encontro de Eliseu:

E o SENHOR lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; e, chegando lá, unge a Hazael rei sobre a Síria. Também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel; e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar. I Reis 19.15 e 16.

No período da Igreja Primitiva os obreiros oravam e como oravam. Em uma destas reuniões o Senhor separa Barnabé e Saulo para realizarem a obra para a qual já estavam vocacionados:

E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Atos 13:1-2

Assim o Senhor convoca aos vocacionados para a obra que reservou em sua Casa.


Vocação Ministerial e Convocação Divina

Vocação vem do latim vocare, ato de chamar ou invocar, intimação. A vocação eclesiástica parte primeiramente da vontade soberana de Deus que chama, separa e comissiona, conforme o chamado do próprio Jeremias:

"Assim veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta." Jer. 1.4-5.

Ao ouvir o chamado do próprio Deus para o exercício do ministério profético, à princípio atônito, Jeremias tenta argumentar, imagine, com o próprio Deus, tentando fugir do chamado. Semelhante a Jonas, porém com diferença de postura: Jonas ouviu o chamado: levanta-te, no sentido original, dispõe-te! Mas não deu ouvidos, fugiu! Tinha ele suas razões. Mas, o arrazoar do homem não muda a condição da necessidade do atendimento ao chamado, muito embora seja passível de ser ignorado. Não gosto muito desta expressão, mas a verdade é que paga-se o preço. Resistir ao chamado, nada mais doloroso é na vida do vocacionado; sofrer por atender ao chamado é melhor do que sofrer por não atendê-lo.

O lado de Deus diz: E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.I Co 12.28. Vocação invariavelmente acompanhada dos devidos dons ministeriais.

O lado do homem diz: - Eis-me aqui, Senhor, envia-me a mim! (Isaías 6.8) Ou obstinadamente diz: não, não vou, não posso, não passo de uma criança (Jeremias 1.6), não sei falar, sou pesado de língua (Êxodo 4.10); sou o menor na casa de meu pai(Juízes 6.15).

Existe também o lado do anelo do homem, cada vez mais raros, em exercer o ministério: Quem deseja o episcopado, excelente obra deseja (I Timóteo 3.1), incentivou Paulo! Mas nem todos podem receber esta palavra. O ministério não se transmite por vontade humana, mas quando Deus revela, prepara e convoca.

Alguns fatores como laços familiares, amizades, riquezas podem até influenciar no alcance de títulos, cargos e facilidades ministeriais, posições na estrutura de governo humana da organização, mas não confirmam necessariamente a posição que vem da chamada e da unção de Deus. E muitos podem ter seus ministérios retardados, esquecidos ou não descobertos simplesmente porque não se usou do costume da igreja de orar antes de separa alguém para a obra do ministério.

Samuel quando da reunião em casa de Jessé para escolher dentre seus filhos qual seria o futuro rei de Israel, primeiramente escolheu sob a ótica humana:

Fez, pois, Samuel o que dissera o SENHOR, e veio a Belém; então os anciãos da cidade saíram ao encontro, tremendo, e disseram: De paz é a tua vinda? E disse ele: É de paz, vim sacrificar ao SENHOR; santificai-vos, e vinde comigo ao sacrifício. E santificou ele a Jessé e a seus filhos, e os convidou ao sacrifício. E sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe, e disse: Certamente está perante o SENHOR o seu ungido. Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.

Então chamou Jessé a Abinadabe, e o fez passar diante de Samuel, o qual disse: Nem a este tem escolhido o SENHOR. Então Jessé fez passar a Sama; porém disse: Tampouco a este tem escolhido o SENHOR. Assim fez passar Jessé a seus sete filhos diante de Samuel; porém Samuel disse a Jessé: O SENHOR não tem escolhido a estes. 1 Samuel 16:4-10

Mas ainda restava o menor. Davi sequer se candidatou ao cargo, mas era o escolhido de Deus. Samuel não se precipitou, aguardou o tempo de Davi chegar do campo atá à casa e reconheceu sob a direção de Deus que este era o ungido do Senhor:

Disse mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os moços? E disse: Ainda falta o menor, que está apascentando as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Manda chamá-lo, porquanto não nos assentaremos até que ele venha aqui. Então mandou chamá-lo e fê-lo entrar (e era ruivo e formoso de semblante e de boa presença); e disse o SENHOR: Levanta-te, e unge-o, porque é este mesmo. Então Samuel tomou o chifre do azeite, e ungiu-o no meio de seus irmãos; e desde aquele dia em diante o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi; então Samuel se levantou, e voltou a Ramá. 1 Samuel 16:11-13

Fato, portanto, é que a decisão da escolha pertence a Deus que usa o homem tão somente para confirmar o chamado, assim como o exemplo da chamada de Samuel em substituição aos filhos de Eli:

E eu suscitarei para mim um sacerdote fiel, que procederá segundo o meu coração e a minha alma, e eu lhe edificarei uma casa firme, e andará sempre diante do meu ungido. 1 Samuel 2:35

PREPARAÇÃO E SERVIÇO

Partiu, pois, Elias dali, e achou a Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele, e ele estava com a duodécima; e Elias passou por ele, e lançou a sua capa sobre ele. I Reis 19.19

Elias vai imediatamente a busca de Eliseu, cujo nome significa “Deus é salvação.”

A exemplo de Davi, Elias encontra Eliseu ocupado, arando a terra, trabalhando. Quando da reunião de Samuel para ungir um rei em substituição a Saul, Davi estava no campo pastoreando as ovelhas de seu pai.

Na casa do Senhor também nos ocupamos em tarefas aparentemente simples mas tão sagrada quanto subir aos púlpitos: carregar as cadeiras para o culto ao ar livre, acomodar pessoas, ligar o som, passar o slides, cuidar das crianças, olhar os carros no estacionamento, tudo tem o seu significado e importância medida e avaliada por Deus que, conforme a sua vontade, pode nos convocar para outras tarefas não digo mais importantes mas dentro do ofício ministerial. O importante é não queimar etapas, no passo do gado vamos desenvolvendo o trabalho do Senhor conforme Sua convocação e a consequente orientação aos líderes quanto ao nosso trabalho.

O segredo está na autoridade delegada por homens de Deus na unção, na imposição de mãos, simbolizado na capa que Elias lançou sobre Eliseu, um sinal de aprovação, comissionamento, delegação de autoridade.

Então deixou ele os bois, e correu após Elias; e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei. E ele lhe disse: Vai, e volta; pois, que te fiz eu? I Reis 19.20

Depois da convocação, segue-se um ponto relevante na chamada, o sair da zona de conforto. Eliseu foi ter com seus pais para lhes comunicar da decisão de seguir o homem de Deus que se colocou na posição de apenas mensageiro do Senhor nessa convocação.

Abraão ao ser convocado por Deus não hesitou e foi sem saber para onde ia:

Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Gênesis 12:1

O SENHOR Deus dos céus, que me tomou da casa de meu pai e da terra da minha parentela, e que me falou, e que me jurou, dizendo: Å tua descendência darei esta terra; ele enviará o seu anjo adiante da tua face, para que tomes mulher de lá para meu filho. Gênesis 24:7

Jonas por sua vez relutou a ponto de fugir da presença do Senhor mesmo tendo clara a sua chamada, ir a Nínive. (Jonas 1)

Talvez algumas pessoas hoje, assim como Jonas, não desenvolvem seu serviço diante de Deus por estarem pensando mais em seus projetos, interesses ou conveniências pessoais em detrimento da obra do Senhor, esquecendo-se do seu chamado.

Então, em caso de dúvidas, podemos fazer como Gideão que pediu provas e confirmação ao Senhor.

Outros, todavia, seguem o exemplo de Eliseu e com prudência, mas sem hesitação, resolvem atender à voz do Senhor que chama e se responsabiliza.

Voltou, pois, de o seguir, e tomou a junta de bois, e os matou, e com os aparelhos dos bois cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram; então se levantou e seguiu a Elias, e o servia. I Reis 19.21

Depois de pronto, com as coisas de casa tudo em ordem, chegou o momento de partir. Eliseu saiu de sua casa não para assumir de imediato uma posição ministerial. Foi apenas para seguir e servir ao profeta Eliseu. O tempo de aprendizado conta para a preparação ao serviço maior.

Quando se candidatou a enfrentar o gigante Golias, Davi apresentou o currículo das atividades desenvolvidas sob a unção do Espírito em defesa do seu rebanho:

Então disse Davi a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; e quando vinha um leão e um urso, e tomava uma ovelha do rebanho, Eu saia após ele e o feria, e livrava-a da sua boca; e, quando ele se levantava contra mim, lançava-lhe mão da barba, e o feria e o matava. Assim feria o teu servo o leão, como o urso; assim será este incircunciso filisteu como um deles; porquanto afrontou os exércitos do Deus vivo. Disse mais Davi: O SENHOR me livrou das garras do leão, e das do urso; ele me livrará da mão deste filisteu. Então disse Saul a Davi: Vai, e o SENHOR seja contigo. 1 Samuel 17:34-37

José passou por um longo período de preparo em tribulações e lutas entre os familiares e estranhos para se traduzirem em bem para o seu povo:

Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós. Gênesis 45:5

Um exemplo emblemático de serviço foi a postura de Josué em relação à Moisés:

E falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo; depois tornava-se ao arraial; mas o seu servidor, o jovem Josué, filho de Num, nunca se apartava do meio da tenda. Êxodo 33:11

E levantou-se Moisés com Josué seu servidor; e subiu Moisés ao monte de Deus. Êxodo 24:13

Por isso disse Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, peleja contra Amaleque; amanhã eu estarei sobre o cume do outeiro, e a vara de Deus estará na minha mão. E fez Josué como Moisés lhe dissera, pelejando contra Amaleque; mas Moisés, Arão, e Hur subiram ao cume do outeiro. Êxodo 17:9-10

Deus orienta a Moisés compartilhar de seus propósitos com Josué, a quem o Senhor convocaria como sucessor:

Então disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto para memória num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memória de Amaleque de debaixo dos céus. Êxodo 17:14-15

Moisés sabendo que não poderia mais conduzir o povo até Canaã orou ao Senhor pedindo que lhe apontasse o sucessor:

Então falou Moisés ao SENHOR, dizendo: O SENHOR, Deus dos espíritos de toda a carne, ponha um homem sobre esta congregação, Que saia diante deles, e que entre diante deles, e que os faça sair, e que os faça entrar; para que a congregação do SENHOR não seja como ovelhas que não têm pastor. Números 27.15-17

E assim o Senhor lhe respondeu:

Então disse o SENHOR a Moisés: Toma a Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe a tua mão sobre ele. E apresenta-o perante Eleazar, o sacerdote, e perante toda a congregação, e dá-lhe as tuas ordens na presença deles. E põe sobre ele da tua glória, para que lhe obedeça toda a congregação dos filhos de Israel. E apresentar-se-á perante Eleazar, o sacerdote, o qual por ele consultará, segundo o juízo de Urim, perante o SENHOR; conforme a sua palavra sairão, e conforme a sua palavra entrarão, ele e todos os filhos de Israel com ele, e toda a congregação. E fez Moisés como o SENHOR lhe ordenara; porque tomou a Josué, e apresentou-o perante Eleazar, o sacerdote, e perante toda a congregação; E sobre ele impôs as suas mãos, e lhe deu ordens, como o SENHOR falara por intermédio de Moisés. Números 27.18-23

Através do líder Moisés Josué fora apresentado ao povo devidamente separado recebendo a delegação e autoridade através das mãos do sacerdote Eleazar, conforme o propósito de Jeová.

Com a morte de Moisés, o Senhor se revela a Josué e o convoca a assumir o lugar para o qual fora vocacionado, convocado e preparado:

E sucedeu depois da morte de Moisés, servo do SENHOR, que o SENHOR falou a Josué, filho de Num, servo de Moisés, dizendo: Moisés, meu servo, é morto; levanta-te, pois, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel. Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu disse a Moisés. Desde o deserto e do Líbano, até ao grande rio, o rio Eufrates, toda a terra dos heteus, e até o grande mar para o poente do sol, será o vosso termo. Ninguém te poderá resistir, todos os dias da tua vida; como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei nem te desampararei. Esforça-te, e tem bom ânimo; porque tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus pais lhes daria. Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares. Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido. Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o SENHOR teu Deus é contigo, por onde quer que andares. Josué 1:1-09

Semelhantemente, Eliseu seguiu os passos de Elias, sabia que tinha uma missão a cumprir, aprender com Elias para continuar o ministério profético em Israel:

Sucedeu que, quando o SENHOR estava para elevar a Elias num redemoinho ao céu, Elias partiu de Gilgal com Eliseu. E disse Elias a Eliseu: Fica-te aqui, porque o SENHOR me enviou a Betel. Porém Eliseu disse: Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim foram a Betel. 2 Reis 2:1-2

A perseverança no ato de servir conduz o homem de Deus ao preparo e aprendizado através da experiência da convivência diária.

Era sabido entre os profetas que Elias de alguma forma seria levado em breve pelo Senhor. Mas Eliseu guardava a discrição, o respeito e a atitude de submissão, fidelidade e cooperação ao seu líder, caminhando sempre juntos, Na hora da dificuldade na reta final do ministério Eliseu continuou junto ao seu líder atravessando com ele o Jordão:

Então os filhos dos profetas que estavam em Betel saíram ao encontro de Eliseu, e lhe disseram: Sabes que o SENHOR hoje tomará o teu senhor por sobre a tua cabeça? E ele disse: Também eu bem o sei; calai-vos. 2 Reis 2:3

E Elias disse: Fica-te aqui, porque o SENHOR me enviou ao Jordão. Mas ele disse: Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim ambos foram juntos. Então Elias tomou a sua capa e a dobrou, e feriu as águas, as quais se dividiram para os dois lados; e passaram ambos em seco.2 Reis 2:6-7


SUBSTITUIÇÃO E CONTINUAÇÃO DA OBRA

A hora da passagem do ofício ministerial estava chegando. Sabedor disto, Elias faz a prova final com Eliseu, perguntando-lhe qual era o seu propósito do coração. Ao que Elias responde: Eu quero a porção dobrada do teu espírito:

Sucedeu que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim. E disse: Coisa difícil pediste; se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará, porém, se não, não se fará. E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho. O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel, e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, pegando as suas vestes, rasgou-as em duas partes. 2 Reis 2:9-11

Eliseu sabia de como o Espírito do Senhor Jeová atuara na vida e ministério de Elias e agora estava ele a contemplar a necessidade da força do Senhor para continuar tão grande obra. Elias não queria a porção dobrada para se achar melhor do que se antecessor, m mas justamente por se sentir menor, mais carente da ação de Deus para realizar o trabalho do Senhor.

Salomão também teve este mesmo sentimento de limitação humana antes de assumir o reinado de Israel, e por isso clamou assim ao Senhor:

Naquela mesma noite Deus apareceu a Salomão, e disse-lhe: Pede o que queres que eu te dê. E Salomão disse a Deus: Tu usaste de grande benignidade com meu pai Davi, e a mim me fizeste rei em seu lugar. Agora, pois, ó SENHOR Deus, confirme-se a tua palavra, dada a meu pai Davi; porque tu me fizeste reinar sobre um povo numeroso como o pó da terra. Dá-me, pois, agora, sabedoria e conhecimento, para que possa sair e entrar perante este povo; pois quem poderia julgar a este tão grande povo? Então Deus disse a Salomão: Porquanto houve isto no teu coração, e não pediste riquezas, bens, ou honra, nem a morte dos que te odeiam, nem tampouco pediste muitos dias de vida, mas pediste para ti sabedoria e conhecimento, para poderes julgar a meu povo, sobre o qual te constituí rei, Sabedoria e conhecimento te são dados; e te darei riquezas, bens e honra, quais não teve nenhum rei antes de ti, e nem depois de ti haverá. Assim Salomão veio a Jerusalém, do alto que estava em Gibeom, de diante da tenda da congregação; e reinou sobre Israel. 2 Crônicas 1:7-12


A OBRA CONTINUA

Momentos de transição criam expectativas em qualquer lugar. Elias subiu no redemoinho e agora estava Eliseu sozinho diante do Jordão. Semelhantemente acontece com um pastor que assume uma Igreja, um regente que recebe um conjunto, um coordenador de um departamento, um professor de EBD em seus primeiros dias na sala.

Nesta ocasião um fator fundamental precisa ser percebido. A capa de Elias, o símbolo da autoridade e poder sobre sua vida havia ficado. Eliseu então toma da capa e lança sobre as águas. Na ida com Elias as águas do Jordão se abriram; na volta, agora sozinho, o Senhor confirmou a continuidade do ministério profético através agora do discípulo Eliseu, sendo notório aos demais discípulos da escola de profetas:

Também levantou a capa de Elias, que dele caíra; e, voltando-se, parou à margem do Jordão. E tomou a capa de Elias, que dele caíra, e feriu as águas, e disse: Onde está o SENHOR Deus de Elias? Quando feriu as águas elas se dividiram de um ao outro lado; e Eliseu passou. 2 Reis 2:13-14

Deus confirma os seus propósitos para continuidade da sua obra através dos que vocaciona, chama, prepara e coloca no lugar, sem dificuldades de continuidade do serviço que é feio para a glória de Deus.

Alguns dos profetas ainda insistiram em buscar Elias, sem compreender que este não voltaria mais, que seu tempo havia chegado e que agora a obra continuaria da mesma maneira agora sob a direção do Espírito na vida de Eliseu. Como destaca o comentarista, não somos descartáveis, mas também não somos insubstituíveis. A obra de Deus continua porque é obra de Deus.

Paulo identificou as dificuldades pelas quais passava a Igreja em Corinto a respeito da transição no governo da igreja local e assim os ensinou para que não ficassem divididos nem infrutíferos na obra:

Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho. Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus. 1 Coríntios 3:6-10

Na rotina da Igreja sempre ocorrem momentos semelhantes a este. Uns vão, outros vem, porém, o Senhor, o dono da obra, continua a nos ajudar a crescer como lavoura e edifício de Deus. Cada um tem seus talentos, dons e modo de trabalhar que ao final da obra resultam para a edificação do corpo de Cristo, a Igreja do Senhor.

Da mesma maneira Eliseu continuou a fazer a obra do Senhor com manifestações poderosas em favor do povo e para a glória de Deus.


O LEGADO DE ELIAS

O dicionário Michaelis define assim o termo legado:

sm (lat legatu) 1 Disposição, a título gracioso, por via da qual uma pessoa confia a outra, em testamento, um determinado benefício, de natureza patrimonial; doação "causa-mortis". 2 Parte da herança deixada pelo testador a quem não seja herdeiro por disposição testamentária nem fideicomissário. 3 Na Roma antiga, comandante de uma legião. L. cultural: língua, costumes e tradições, que passam de uma a outra geração.

No contexto deste estudo podemos dizer que o legado de Elias seria aquilo que ele deixou como herança espiritual para o seu povo e em decorrência para nós.

Muitos homens de Deus ao longo da história deixaram um legado para o seu povo, para a Igreja e também para a humanidade. O legado maior que um cristão pode deixar, a exemplo de Elias e Eliseu, são seus exemplos de fé e virtude no Senhor assim como também se expressaram na vida de outros homens de Deus, narrados na carta aos Hebreus em seu capítulo 11:

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.

Porque por ela os antigos alcançaram testemunho.

Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.

Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala.

Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus.

Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.

Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé.

Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.

Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa.

Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus.

Pela fé também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber, e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que lho tinha prometido.

Por isso também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar.

Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.

Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.

E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.

Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito.

Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar;

E daí também em figura ele o recobrou.

Pela fé Isaque abençoou Jacó e Esaú, no tocante às coisas futuras.

Pela fé Jacó, próximo da morte, abençoou cada um dos filhos de José, e adorou encostado à ponta do seu bordão.

Pela fé José, próximo da morte, fez menção da saída dos filhos de Israel, e deu ordem acerca de seus ossos.

Pela fé Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o mandamento do rei.

Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó,

Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado;

Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.

Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível.

Pela fé celebrou a páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos lhes não tocasse.

Pela fé passaram o Mar Vermelho, como por terra seca; o que intentando os egípcios, se afogaram.

Pela fé caíram os muros de Jericó, sendo rodeados durante sete dias.

Pela fé Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias.

E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas,

Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões,

Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos.

As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição;

E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões.

Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados

(Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra.

E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa,

Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados.
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