Crescendo na graça e no conhecimento

Lições 4.o Trimestre 2013

Lições 4.o Trimestre 2013
Conselhos para a vida

Lição 1 - O Valor dos Bons Conselhos
Lição 2 - Advertências Contra o Adultério
Lição 3 - Trabalho e Prosperidade
Lição 4 - Lidando de Forma Correta com o Dinheiro
Lição 5 - O Cuidado com Aquilo que Falamos
Lição 6 - O Exemplo Pessoal na Educação dos Filhos
Lição 7 - Contrapondo a Arrogância Com a Humildade
Lição 8 - A Mulher Virtuosa
Lição 9 - O Tempo para Todas as Coisas
Lição 10 - Cumprindo as Obrigações Diante de Deus
Lição 11 - A Ilusória Prosperidade dos Ímpios
Lição 12 - Lança o teu Pão Sobre as Águas
Lição 13 - Tema a Deus em todo o Tempo

Comentarista:

José Gonçalves - Pastor, Professor de Teologia, Escritor e Vice-presidente da Comissão deApologética da CGADB; Comentarista das revistas de Escola Dominical da CPAD.

10 de fevereiro de 2013

A VINHA DE NABOTE


João Ribeiro
INTRODUÇÃO

O tema deste estudo trata da influência danosa da cobiça na vida de um homem, Acabe, que levou à morte Nabal, um homem que defendeu o bem que tinha de mais precioso, a sua vinha.

Cobiça - conforme o dicionário Michaelis, eis a definição de cobiça:
Sf (lat cupiditia) 1 Desejo veemente de conseguir alguma coisa. 2 Ânsia ou ambição de honras ou riquezas. 3 Avidez. 4 Concupiscência. (Michaelis)

A cobiça é um sentimento perverso que leva o ser humano a desejar possuir algo que não pode ter. Não necessariamente algo de valor material significativo, mas algo que simplesmente não pode lhe pertencer. Um simples lápis, uma gravata, um amigo de outro, um cargo ou posição, enfim, algo tangível ou intangível que alguém não tem o direito de possuir ou acessar.

Este sentimento tem origem no príncipe das trevas que pecou por cobiçar o trono de Deus.
Inicialmente um sentimento de soberba dominou o coração do então querubim ungido devido à sua alta posição nos céus e sua formosura sem par:

Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. ... Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti. Ezequiel 28:14,17

Em seguida, achando-se o tal, foi dominado pelo desejo tresloucado da cobiça pelo poder, querendo usurpar o trono de Deus:

Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo. Isaías 14:12-15

Movido então pela cobiça, e não podendo influenciar no reino dos céus, volta sua artilharia agora para tentar roubar, matar e destruir, atacar o esplendor da criação de Deus, o homem. Para isso seduz o casal e os leva a pecar. Cedendo, o homem agora ficou sujeito ao pecado.

Uma das formas de expressão do pecado é a cobiça, o mesmo sentimento que levou o inimigo a cair, tal sentimento que domina agora o coração de muitos, o mesmo que dominou o coração do rei Acabe.


O OBJETO DA COBIÇA

Acabe possuía um segundo palácio real, uma residência de campo no lugarejo chamado Jezreel. Ao lado da sua casa em Jezreel havia uma vinha de um homem fiel a Deus por nome Nabote. Este era o alvo da cobiça de Acabe. Possuir as terras do seu vizinho para transformá-la em horta.
O intuito cobiçoso de Acabe era grave por conta da falta de observância do rei quanto às regras divinas de possessão da terra. A Lei do Senhor estabelecia a garantia da posse da terra por herança de pai para filho em cada tribo e sua venda somente em último caso, como a pobreza absoluta, situação pela qual aparentemente não Nabote passava:

Também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós sois estrangeiros e peregrinos comigo. Portanto em toda a terra da vossa possessão dareis resgate à terra. Quando teu irmão empobrecer e vender alguma parte da sua possessão, então virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que vendeu seu irmão. E se alguém não tiver resgatador, porém conseguir o suficiente para o seu resgate, Então contará os anos desde a sua venda, e o que ficar restituirá ao homem a quem a vendeu, e tornará à sua possessão. Mas se não conseguir o suficiente para restituí-la, então a que foi vendida ficará na mão do comprador até ao ano do jubileu; porém no ano do jubileu sairá, e ele tornará à sua possessão. Levítico 25:23-28
Assim a herança dos filhos de Israel não passará de tribo em tribo; pois os filhos de Israel se chegarão cada um à herança da tribo de seus pais. E qualquer filha que herdar alguma herança das tribos dos filhos de Israel se casará com alguém da família da tribo de seu pai; para que os filhos de Israel possuam cada um a herança de seus pais. Assim a herança não passará de uma tribo a outra; pois as tribos dos filhos de Israel se chegarão cada uma à sua herança. Números 36:7-9

Ciente disto, Nabote não quis negociar com o sagrado. O direito de posse das terras entre os israelitas era um direito transmitido de pai para filho para garantir a sobrevivência da família. Aquele que deveria zelar pelo cumprimento da lei do Senhor entre o povo, o rei Acabe, tentara transgredi-la. O resultado final da sua inclinação à cobiça foi triste.

O sagrado é inegociável. Fazer do sagrado objeto de lucro fez Jesus tomar do azorrague e expulsar os cambistas do templo:

Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.   E estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.  E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados.E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; E disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda.  E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorará. João 2.13 a 17.


A VINHA

Acabe queria expandir os seus domínios sobre as terras de Nabote com o intuito de fazer desta uma horta. Ali estaria se desconfigurando o papel das terras de Nabote. O dicionário VINE alerta para o fato de que a transferência da propriedade da vinha para outrem era considerado julgamento de Deus. Aquele era o lugar de Nabote cultivar a sua vinha, manter a herança dos filhos, e disto ele não abriu mão.
O profeta Isaías descreveu com detalhes como ocorria a instalação de uma vinha e sua identificação com Deus e seu povo:

Agora cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito da sua vinha. O meu amado tem uma vinha num outeiro fértil. E cercou-a, e limpando-a das pedras, plantou-a de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre, e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, porém deu uvas bravas. Agora, pois, ó moradores de Jerusalém, e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha. Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? Por que, esperando eu que desse uvas boas, veio a dar uvas bravas? Agora, pois, vos farei saber o que eu hei de fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derrubarei a sua parede, para que seja pisada; E a tornarei em deserto; não será podada nem cavada; porém crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela. Porque a vinha do SENHOR dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias; e esperou que exercesse juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor. Isaías 5:1-7

O dicionário VINE interpreta à luz deste trecho que o profeta fez uma analogia (comparação) com a vinha (kemer) representando Israel. Também usa a figura da poesia de Cantares de Salomão para identificar a vinha como representando pessoas (Cantares 1.6)

Com base nestas ideias iremos traçar um paralelo com o cuidado que precisamos ter de conservar, cultivar e guardar a nossa vinha em quatro aspectos da nossa vida: Nós mesmos, nossa família, e nosso ministério e nossa Igreja.


A VINHA QUE SOMOS NÓS

Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Fazendo isto, salvarás tanto a ti mesmo como aos que ti ouvem. (I Tim 4.16) Assim alertou Paulo ao jovem pastor Timóteo.

O cultivo de nossa vinha pessoal precisa ser semelhante à vinha agrícola. Primeiramente é preciso retirar as pedras. Gordon MacDonald em seu livro Ponha Ordem em Seu Mundo Interior narra o fato de ter comprado uma pequena propriedade. Para melhor cuidá-la começou a remover as pedras, à exemplo da preparação da vinha que descreveu Isaías no texto acima. No princípio retirou as maiores e depois, à medida que o tempo passava, foi buscando outras até chegar às pequenas. 

Esta ilustração se refere a limparmos o nosso coração. Jesus alertou para a necessidade desta aragem interior:

E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem. Marcos 7:20-23

A cobiça sem dúvida é um destes sentimentos perniciosos. Sabedor desta inclinação do coração humano, o Senhor estabeleceu em sua lei como um dos Dez Mandamentos o não cobiçar:

Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. Êxodo 20:17; Deut. 5.21

Jesus ultrapassou os limites formais da lei e chegou à motivação interior do homem:

“Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.” Mateus 5. 28.

O Perigo do Olhar

Eva ouviu do Senhor Deus para não comer do fruto da árvore do bem do e do mal.
A astuta serpente, porém, resolveu atrair a Eva alimentando-lhe a concupiscência, a cobiça dos olhos:

“Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.” Gênesis 3:1-6

A partir de então parece que se tornou mais importante ver que ouvir. Dizem até que “uma imagem vale mais do que mil palavras.” No entanto, afirmo que a Palavra de Deus vale muito mais do que mil imagens.  

Eva não deu crédito à Palavra, a orientação de Deus e assim se deixou levar pelo que viu e cobiçou:

“E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.” Gênesis 3:6-8

O segredo do resistir à tentação estava em fazer um pacto com o olhar, a exemplo de Jó:

“Fiz aliança com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?” Jó 2.17.

como o Salmista Davi, ele mesmo que sofreu uma terrível experiência de queda moral por conta de um simples olhar a partir da sacada do palácio real (2 Samuel 11.1-5):

"Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a mim." Salmo 101.3.

Dando ouvidos à palavra do Senhor. Priorizando o ouvir a Deus ao invés de olhar com cobiça as vitrines do mundo sedutor.


GUARDANDO A VINHA DO NOSSO SER

Além de cultivar a terra precisamos guardá-la com cercas e levantar uma torre de vigia (Isaías 5.1 e 2).

Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. Provérbios 4.23.

Precisamos guardar o nosso coração também da cobiça. Acabe cedeu ao desejo desenfreado e insano de possuir o que não lhe pertence chegando a cometer um assassinato e expor sua vida à desgraça entre tantos outros maus feitos.

A sociedade pós-moderna com seus conceitos e valores, tão relativista, secularista, materialista, consumista, valoriza o ter, o aqui e agora, a satisfação do homem como centro do universo. Querendo, desta forma, tirar-nos o alvo de pensar nas coisas lá do alto, para colocar o coração nas que são aqui da terra, e assim perdermos a nossa herança nos céus (Colossenses 3:2);

A ditadura do ter em detrimento do ser instituída na sociedade de consumo esbarra na realidade espiritual confrontada por Cristo: “Louco, esta noite pedirão a tua alma, e o que tens entesourado para quem será, de que te servirá?” Lucas 12:20.

O problema se agrava quando se observa a filosofia do Ter agasalhada na teologia moderna e professada nos púlpitos com palavras de ordem e slogans que estão mais para produto de campanha de marketing do que um “Assim diz o Senhor”, mascarando a necessidade do ser, de um viver santo e irrepreensível diante do Senhor.

            Ter milhares e milhares de crentes evangélicos no rol de membros da denominação ou mesmo em toda uma nação não representa necessariamente que todos os crentes estejam empenhados primeiramente em buscar o reino dos céus e assim também ganhar outros para Cristo; precisamos nos prevenir do perigo das ovelhas se tornarem quem sabe apenas cobiçosos consumidores de bênçãos materiais: montar a empresa, comprar o apartamento, alcançar a cura.

Vivemos numa sociedade de consumo e, assim, somos todos os dias estimulados a comprar, comprar e comprar. Muitas das vezes compramos apenas para aproveitar aquela promoção relâmpago, aquela promoção do lançamento de um novo produto e por aí vai.

E por aí vai o nosso suado dinheirinho que para sair da nossa conta basta alguns segundo após digitar alguns números do cartão de débito ou crédito. Agora para entrar na conta custa a eternidade de um mês de trabalho duro.

Assim, quando esta busca se torna um fim e razão de ser, isto se torna um dogma a ser combatido a fim de o discípulo voltar a condição de ser simplesmente um crente, um cristão autêntico, o que não é pouca coisa. Independentemente se a conta bancária tem muito mais ou muito menos zeros à direita, sendo pobres, mas enriquecendo a muitos. 2 Coríntios 6:10. E se as vossas riquezas aumentam, não colocando nelas a confiança. Salmos 62:10


RECONSTRUINDO OS MUROS DA ALMA

"Como a cidade derrubada, sem muros, assim é o homem que não pode conter o seu espírito.” Provérbios 25:28.

Este texto faz uma analogia entre uma cidade sem muros e a pessoas sem domínio próprio. Como encontramos pessoas assim, destemperadas. Falam demais, discutem demais, brigam, demais, comem demais, brincam demais, pecam demais. Sem qualquer controle. Semelhantes à uma carreta carrregada sem freios descendo ladeira em ponto morto, assim perderam o governo de si próprias, tornando-se desregradas, inconvenientes, jocosas, frívolas, levianas, desmedidas, imprudentes, cobiçosas, deixando a própria alma sem qualquer segurança, exposta ao sofrimento em consequência da falta de temperança. São muros derribados que precisam ser reconstruídos. 

É preciso retomar o controle da situação, tornar-se comandante de si mesmo. O mesmo livro de Provérbios diz (Prov. 16.32):

“Melhor é o longânimo que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito do que o que toma uma cidade.”

Este processo de autocontrole precisa ser prioridade em nossas vidas:

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” Provérbios 4:23.

À exemplo das vinhas que eram protegidas por cercas, as cidades de antigamente usavam muros como forma de se protegerem dos ataques e invasões dos seus inimigos. Jerusalém fora invadida e dominada pelo império babilônico, e teve seus muros destruídos.  Uma desolação, um sinal de opróbrio, dominação, vergonha. Neemias foi o homem levantado por Deus para restaurar não apenas os muros, mas a dignidade perdida.

Da mesma forma precisamos restaurar nossas cercas, nossos muros. Não é tarefa fácil, que se faz em um passe de mágica, usando palavras de ordem ou tomando uma pílula mágica. Significa um processo contínuo, e muitas vezes doloroso. Começa-se por retirar os escombros.
Lançar fora tudo que não agrada a Deus. Identificar, avaliar, tomar decisão e agir.  Jesus alertou assim aos fariseus:

O que sai do homem isso contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem.  Marcos 7:20-23

Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo. Mateus 23:26

Este processo, vale lembrar, não pode ser levado a efeito sem a ajuda divina. Por mais que eu tente com minhas próprias forças, não vou conseguir sozinho.

Simplesmente por conta da ação da carne em minha vida que tende a produzir suas obras de maneira contínua, parecendo mais pia de lavar louças que deixamos limpinha em dado momento e logo depois volta tudo ao estado de sujeira inicial.

Situação semelhante aos poços de Abraão entulhados pelos adversários filisteus e restaurados por Isaque:

E tornou Isaque e cavou os poços de água que cavaram nos dias de Abraão seu pai, e que os filisteus entulharam depois da morte de Abraão, e chamou-os pelos nomes que os chamara seu pai. Cavaram, pois, os servos de Isaque naquele vale, e acharam ali um poço de águas vivas. Gênesis 26:18-20

Para agirmos de forma semelhante, precisamos sem sombra de dúvidas da ajuda do Espírito Santo a produzir seu fruto na vinha da nossa vida. Gálatas 5.22. 

Neste caso o fruto apropriado na estação própria é o fruto da temperança ou domínio próprio.

Através do Espírito e seu fruto manifesto em nossas vidas, podemos falar as palavras certas no tempo certo (Prov. 25.11), controlar o apetite desordenado, (Prov. 23.2), o agir precipitadamente (Prov. 14.29; 19.2; 21.5)

Para manter o controle da nossa vinha, o governo de nós mesmos, algo nada fácil, precisamos igualmente de outro aspecto do fruto do Espírito, a longanimidade, companheira inseparável da temperança, que nos ajuda a manter o controle da vida e assim, atendendo ao conselho do Mestre Jesus, continuarmos perseverantes neste intento: “Na vossa paciência possuí as vossas almas.” Lucas 21.19.

Desta forma reconstruímos as cercas da nossa vinha, os muros da nossa alma, restaurando a comunhão plena com Deus e produzindo frutos dignos de arrependimento.


GUARDANDO A VINHA DA NOSSA CASA

Todas as pessoas devem promover a salvação de si mesmas e da própria família, não porque diz respeito a si mesmas, mas porque é valiosa em si e porque é especialmente confiada a elas, por estar no raio de seu alcance direto. Esse é um princípio pressuposto em toda parte no governo de Deus, ... (Charles Finney)        

Precisamos gastar tempo, joelhos, palavras e todos os nossos recursos no tomar cuidado da nossa família. Nabote foi incisivo e permaneceu firme diante da tentadora proposta de Acabe:

Então Acabe falou a Nabote, dizendo: Dá-me a tua vinha, para que me sirva de horta, pois está vizinha ao lado da minha casa; e te darei por ela outra vinha melhor: ou, se for do teu agrado, dar-te-ei o seu valor em dinheiro. 1 Reis 21:2

Nabote permaneceu firme no propósito de obedecer a um princípio sagrado da propriedade da terra, estabelecido pelo Senhor, quando rejeitou a oferta do rei: não te darei a herança de meus pais; não te darei a minha vinha. (I Reis 21.4b; 6c) Hoje também nós, pais, somos convocados a tomar a posição de guardiões na torre de vigia em favor de nossa casa de nossos filhos.

Este zelo para com a família o pregador Charles Finney traduziu como um ato de serviço ao Senhor:

Se um homem ama a Deus de modo supremo e empenha-se em alguma atividade para promoção de sua glória, se for sincero, sua disposição e conduta, naquilo que tiverem algum caráter moral, são inteiramente santas quando empenhadas de maneira necessária na correta transação de sua atividade, embora, naquele momento, nem seus pensamentos nem suas emoções estejam em Deus; simplesmente como homem devotadíssimo à sua família, pode estar agindo de maneira coerente com Seu interesse supremo e Lhe prestando o serviço mais importante e perfeito, enquanto não Lhe dirige outro pensamento.


GUARDANDO-NOS DA COBIÇA DO CONSUMO IRRESPONSÁVEL

Sabemos que os valores da sociedade estão em constante mutação e nem sempre estão de acordo com os princípios bíblicos.

A mídia se encarrega de descarregar nas mentes e nos corações milhares de informações, imagens e pensamentos. A internet e as redes sociais ditam relações desta geração. O maior apelo vem das propagandas para estimular a cobiça ao consumo.

Tudo dentro da lei do mercado. Nossas crianças desde cedo são estimuladas a comprar, o verbo mais conjugado de todos. Mal começa a falar, o pequenino já brada: - “compa pa mim, papai, compa!”

A cobiça por coisas se aprende logo cedo nos intervalos dos desenhos animados. Precisamos cuidar das nossas famílias nesta área também.


CUIDANDO DOS NOSSOS

Moisés já advertia ao povo israelita da responsabilidade quanto a observação pessoal dos ensinos do Senhor e a propagação dentro do seio familiar:

Tão somente guarda-te a ti mesmo, e guarda bem a tua alma, que não           te esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e não se apartem do teu coração todos os dias da tua vida; e as farás saber a teus filhos, e aos filhos de teus filhos. Deuteronômio 4.9

A falta de observação dos caminhos por onde anda a família foram apontados por Paulo em sua carta à Timóteo:

"Mas, se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel" (1 Tm 5.8).

Pode parecer duro, mas o comportamento do cristão ao abandonar o cuidado com sua vinha, a família, constitui-se em um ato de pior qualidade do que as ações dos incrédulos.

Cabe neste momento um alerta quanto ao ativismo religioso. O clássico exemplo do conselho de Jesus para Marta nos serve de exemplo:

“Marta, porém andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;” Lucas 10:40-41

Assim o excesso de ocupação na Igreja pode nos tornar amigos dos irmãos, do pastor, mas inimigos de nossa casa, podendo chegar a destruir a nossa vinha. Usamos aquela velha desculpa de que Deus só chama os ocupados e sobrecarregamos a irmã ou o irmão com três ou quatro departamentos, sem lembrar de que ele também tem um trabalho secular, e principalmente, tem uma pequena igreja, sua família, para prestar contas diante de Deus.

Vale salientar que muitos se deixam levar por este círculo vicioso por conta justamente da cobiça por um cargo ou posição de poder no ambiente eclesiástico, traspassando-se a si mesmos com muitas dores.

Em consequência, vemos quantos matrimônios esfacelados, vivendo de aparência e facha, quantos filhos revoltados, quantos pais doentes emocionalmente, por conta da falta de tempo para cultivar nossa vinha. Para isto é preciso ter a direção de Deus para agirmos sabiamente, diferentemente do ímpio.

Acabe, ao receber a rejeição de Nabote quanto à venda da vinha, queixou-se à sua mulher Jezabel que de maneira carnal tomou à frente da situação, censurando o seu marido: “Governas tu, com efeito, em Israel?” Em outras palavras. Não és tu o rei, por que não usaste de tua autoridade. A Bíblia Sagrada alerta:

Toda mulher sábia edifica a sua casa; mas a tola a derruba com as próprias mãos. Provérbios 14:1

Totalmente ao contrário da postura inconsequente da idólatra e manipuladora Jezabel, as mulheres cristãs mulheres cumprem um papel fundamental na estrutura familiar. Agindo de maneira sábia, estas edificam os seus lares.

Aqui não particularizamos apenas as senhoras do lar, mas todas, mães, esposas que, embora tendo atividades na Igreja, atuam no campo profissional, a fim de ajudarem a compor a renda familiar, ou mesmo como guia e arrimo da família na ausência de seus maridos.  Todas, profissionais ou do lar, têm como exemplo a mulher virtuosa de Provérbios 31, o zelo na formação e cuidado dos filhos, a instrução nos caminhos do Senhor, e o apoio e socorro aos seus maridos, servindo de exemplo para as demais.

Não que seja das mulheres a tarefa exclusiva de orar, não, todos devemos orar, mas em nossa cultura assembleana, já se consolidou como um trabalho exclusivo de responsabilidade das senhoras a condução dos trabalhos de Círculo de Oração durante o dia. Estas mulheres valorosas levantam as mãos e elevam suas vozes a Deus em defesa das causas dos desvalidos, dos necessitados, do ministério, dos perdidos, dos afastados, de suas próprias famílias, das nossas famílias.

Assim, como a base da igreja é a família, a atuação da mulher no lar de acordo com os princípios da Palavra é de fundamental importância para a edificação do corpo de Cristo.


CUIDADO COM A MANIPULAÇÃO DA PALAVRA

Os juízes da cidade apregoaram um jejum antes da tomada de decisão. Às vezes fazemos o certo, jejuar, com as motivações erradas. Não adianta fazer campanha de jejum sem fim quando as motivações daquela campanha ferem a Palavra ou mesmo quando sentimos pelo Espírito que Deus não quer agir naquele sentido.
Isaías despertou para falar de um modelo de jejum que agrada ao Senhor:

... Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos as nossas almas, e tu não o sabes? Eis que no dia em que jejuais achais o vosso próprio contentamento, e requereis todo o vosso trabalho. Eis que para contendas e debates jejuais, e para ferirdes com punho iníquo; não jejueis como hoje, para fazer ouvir a vossa voz no alto. Seria este o jejum que eu escolheria, que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco, e estenda debaixo de si saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aprazível ao SENHOR? Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda. Então clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás, e ele dirá: - Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente; E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. E o SENHOR te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam. E os que de ti procederem edificarão as antigas ruínas; e levantarás os fundamentos de geração em geração; e chamar-te-ão reparador das roturas, e restaurador de veredas para morar. Isaías 58:3-12

Ações movidas na intenção de adorar a Deus e resgatar o próximo servem como jejum agravável diante do Senhor. E assim as nossas vinhas são restauradas e preservadas.


GUARDANDO A NOSSA IGREJA, NOSSA VINHA

Jezabel, tomando atitude de uma pessoa que não temia a Deus, planejou malignamente levantar falsas testemunhas para acusar a Nabote de transgressão da própria Lei do Senhor.

Movida pela cobiça, alimentou o firme intento de tomar à qualquer custo a posse da vinha de Nabote. Para tal, manipulou um preceito da Lei para tentar levar Nabote à morte, através do uso de falsas testemunhas:

Quando no meio de ti, em alguma das tuas portas que te dá o SENHOR teu Deus, se achar algum homem ou mulher que fizer mal aos olhos do SENHOR teu Deus, transgredindo a sua aliança, Que se for, e servir a outros deuses, e se encurvar a eles ou ao sol, ou à lua, ou a todo o exército do céu, o que eu não ordenei, E te for denunciado, e o ouvires; então bem o inquirirás; e eis que, sendo verdade, e certo que se fez tal abominação em Israel, Então tirarás o homem ou a mulher que fez este malefício, às tuas portas, e apedrejarás o tal homem ou mulher, até que morra. Por boca de duas testemunhas, ou três testemunhas, será morto o que houver de morrer; por boca de uma só testemunha não morrerá. As mãos das testemunhas serão primeiro contra ele, para matá-lo; e depois as mãos de todo o povo; assim tirarás o mal do meio de ti. Deuteronômio 17:2-7

Aqui vale salientar a necessidade de estarmos vigilantes quanto aos que manipulam as orientações da Palavra do Senhor para atenderem aos seus interesses pessoais através de falsos testemunhos ou qualquer outro meio.

O maquiavélico plano de Jezabel previu o uso das falsas testemunhas para dar um ar de veracidade à falsa acusação contra Nabote e, o que é pior, manipulando o conselho de anciãos. Aqui notamos a importância do dom do discernimento dos espíritos (I Co. 12.10), tendo a Palavra de Deus por auxílio (Hb. 4.12) e com o uso de sabedoria por parte da liderança antes de tomar qualquer decisão quando chega uma acusação contra alguém da Igreja. È preciso compreender o todo para assim tomar a sábia decisão e não agir por influência ou inclinação pessoal interesseira e parcial. Daí o alerta do Senhor:

De palavras de falsidade te afastarás, e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio. Êxodo 23:7


Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Êxodo 20.16; Deut. 5.20.

Um dos fatores mais maléficos para o cristão e que precisa ser combatido no seio da Igreja do Senhor é o trato das acusações contra os escolhidos do Senhor:

Da falsa acusação te afastarás; não matarás o inocente e o justo, porque não justificarei o ímpio. O acusador dos nossos irmão, satanás, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante do nosso DEUS, (Apocalipse 12:10).

Acusações podem ter fundamento ou serem falsas. Falsas como foram as suposições levantadas contra Jó:

Perguntou o SENHOR a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a DEUS e que se desvia do mal. Ele conserva a sua integridade, embora me incitasses contra ele, para consumi-lo sem causa. Jó 2.3.

As falsas acusações trazem em si uma inspiração diabólica motivada muitas vezes por razões pequenas, mesquinhas, carnais, invejosas.

Ou podem ser verdadeiras como as acusações sofridas por Josué, o sacerdote:

E me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do SENHOR, e satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor. Mas o SENHOR disse a Satanás: O SENHOR te repreende, ó Satanás, sim, o SENHOR, que escolheu Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo? Ora, Josué, vestido de vestes sujas, estava diante do anjo. Então, falando, ordenou aos que estavam diante dele, dizendo: Tirai-lhe estas vestes sujas. E a ele lhe disse: Eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniquidade e te vestirei de vestes novas. Zacarias 3:1-4. 

O diabo, aquele que quer tomar a nossa vinha, é o nosso maior acusador diante de DEUS. Apocalipse 12:10. Mas bem aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do cordeiro. Apocalipse 7.14.

O trato com as acusações verdadeiras também devem ser com cuidado, à luz da Bíblia, produzindo a disciplina que vem do Senhor. Servem para produzir tristeza para arrependimento que produz vida:

E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, E não desmaies quando por ele fores repreendido; Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela. Hebreus 12:5-11

O trato correto quanto à transgressão precisa ser observado. Disciplina serve para correção e resgate e nunca como meio de vingança e tentativa de destruição de uma pessoa ou seu ministério. A imparcialidade também  deve observada para que  não haja acepção de pessoas na aplicação da disciplina e nunca que se confirme a máxima de “aos amigo tudo; aos inimigos a lei.”

Outra questão trata do objeto da disciplina que varia de lugar para lugar, de pessoa para pessoa, de motivação para motivação. Que pecados são dignos de disciplina? Que disciplina deve ser exposta? A disciplina precisa ser pública ou um conselho pode ser suficiente para aplicação da disciplina? Ou apenas uma confissão sincera ao pastor em arrependimento é o suficiente? São questões a serem postas. O importante é que nunca se julgue com parcialidade, com dois pesos e duas medidas e principalmente que tudo tenha como base o amor que trata e cura.

Há pessoas que quase glorificam a DEUS quando acusam o testemunho de um delito cometido por um irmão de modo algum está agindo com o cuidado necessário para com um membro de seu próprio corpo. Não. São pessoas de uma pobreza de alma tal que acham que precisam ver alguém prostrado para se sentir superiores.
As acusações contra os presbíteros devem ser ratificadas por duas ou três testemunhas (I Timóteo 5.19). Nada de ouvi dizer, eu acho, fulano me disse. Quem não tem pecados que atire a primeira pedra, disse Jesus (João 8:7).

Quem intentará então acusação contra os eleitos de DEUS? Romanos 8:33. É DEUS quem os justifica. A vitória maior contra o acusador foi vaticinada no livro das Revelações de João, que diz:

E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso DEUS, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso DEUS os acusava de dia e de noite. Apocalipse 12:10

Os falsos acusadores por sua vez, espalhadores de boatos, falsos testemunhos, maldizentes, a exemplo de Jezabel, se não tiverem a paga aqui de suas injustiças, o Senhor, Justo Juiz, com certeza os julgará, bem como tem sentenciado o pai da mentira, satanás.

Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. 1 Coríntios 6:10

DEUS TUDO VÊ

A ardilosa Jezabel, alcançou seu intento levando Nabote à morte manipulando os preceitos da lei do Senhor, persuadindo depois o marido Acabe a tomar posse definitiva do que não era seu.
Mas nada está encoberto aos olhos do Senhor:

Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto. Marcos 4:22

E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar. Hebreus 4:13

Deus revela a atitude criminosa de Acabe ao profeta Elias:

Então veio a palavra do SENHOR a Elias, o tisbita, dizendo: Levanta-te, desce para encontrar-te com Acabe, rei de Israel, que está em Samaria; eis que está na vinha de Nabote, aonde tem descido para possuí-la. 1 Reis 21:17-18

Elias fora comissionado agora para defender não apenas a vinha de Nabote, posto que estava morto, mas a vinha do Senhor. O perturbador da consciência de Acabe, não de Israel, voltava à cena para confrontar o inseguro rei, e dizer-lhe: - Assim diz o Senhor!

Fomos chamados para combater o bom combate em defesa da fé que uma vez foi dada aos santos. Nós professores da EBD fomos chamados para retirar as pedras do pecado dos falsos ensinos, das falsas doutrinas e preservar a sã doutrina à cada dia mais atacada e relativizada.

Precisamos defender a nossa vinha em meio à esta geração corrompida e perversa interferindo em sua trajetória para não continuarmos reduzidos a uma subcultura cristã, sem voz, sem vez, sem efeito, apesar de um número grandioso, sendo uma vinha frondosa porém uma vinha infrutífera.

O ascetismo, o isolamento do mundo como eremitas fez com que a Igreja perdesse seu poder de influência no meio da sociedade.  Existe a necessidade primordial de se viver em um contexto social em constante mudança, não diria evolução, quando os valores morais estão sendo relegados ou pior “renovados”. 

Em face disto, precisamos de discernimento para nos separar não do mundo mas sim de sua influência pecaminosa, não simplesmente nos isolando e achando que tudo é pecado, mas examinando tudo e retendo o que é bom (1 Tessalonicenses 5:21), sem concessões para o pecado. Pecado é pecado, e ponto final.  

Esta geração se encontra diante de um desafio maior. Enquanto uns poucos militam contra as trevas tentando defender a fé em regimes totalitários e anticristãos, a maior parte dos membros hoje sofre o perigo da sedução do engano do pecado das conveniências político-econômico-sócio-culturais.

O moderno, mas bem antigo entendimento do não faz mal, do agora vale tudo, com suas argumentações piegas de que Jesus só quer o coração ou, isso é coisa do passado, tenta nos convencer.  René Padilla levantou esta bandeira para a igreja hodierna:

A igreja de Jesus Cristo está envolvida num conflito contra os poderes do mal entrincheirados nas estruturas ideológicas que desumanizam o homem, condicionando-o para que relativize o absoluto e absolutize o relativo. 

O profeta Malaquias protestou contra o relativismo moral da sua época, dizendo:

Porque, quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não faz mal! E, quando ofereceis o coxo ou o enfermo, não faz mal! Ora, apresenta-o ao teu príncipe; terá ele agrado em ti? Ou aceitará ele a tua pessoa? — diz o SENHOR dos Exércitos.  Malaquias 1:8.

Para fazer frente aos ataques do inimigo nesta peleja se requer um posicionamento de sobriedade e vigilância, porque o adversário anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. 1 Pedro 5:8.
Sobriedade fala de preservar o estado de lucidez em meio a um mundo encantador, sedutor, enganador e embriagador que usa todos os seus encantos passageiros do presente para estimularem a cobiça.

O consumismo de bens, em sua maioria desnecessários, a prática do sexo ilícito, a busca pelo poder, o amor às riquezas, os valores morais invertidos, a pós-moderna cultura pagã e idólatra centrada no homem e até a religião embriagam a muitos. A saída é cingir os lombos do entendimento, sendo sóbrios e a esperar inteiramente na graça que se ofereceu na revelação de Jesus Cristo. 1 Pedro 1:13. A Graça é suficiente para nos suprir e assim nos desapegar dos apelos da cobiça. A graça de Deus nos basta !

A Igreja através da sua liderança, através dos ensinadores da Palavra, não pode se esquivar de ministrar todo o conselho de Deus:

Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue. Eu sei que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão rebanho, e que dentre vós mesmos se levantarão homens, falando coisas perversas para atrair os discípulos após si.
Portanto vigiai, lembrando-vos de que por três anos não cessei noite e dia de admoestar com lágrimas a cada um de vós. Agora pois, vos encomendo a Deus e à palavra da sua graça, àquele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados. Atos 20:28-32.

Essa é nossa luta. Combater o bom combate. 2 Timóteo 4:7. Trabalhar em defesa da vinha do Senhor: Trabalhai e orai. Na seara e na vinha do Senhor; Meu desejo é orar, E ocupado quero estar, sim, na vinha do Senhor. (Harpa Crista, 115)


O CUIDADO DA VINHA

Faze-nos voltar, ó Deus dos Exércitos, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos. Trouxeste uma vinha do Egito; lançaste fora os gentios, e a plantaste. Preparaste-lhe lugar, e fizeste com que ela deitasse raízes, e encheu a terra. Os montes foram cobertos da sua sombra, e os seus ramos se fizeram como os formosos cedros. Ela estendeu a sua ramagem até ao mar, e os seus ramos até ao rio. Por que quebraste então os seus valados, de modo que todos os que passam por ela a vindimam? Javali da selva a devasta, e as feras do campo a devoram. Oh! Deus dos Exércitos, volta-te, nós te rogamos, atende dos céus, e vê, e visita esta vide; E a videira que a tua destra plantou, e o sarmento que fortificaste para ti. Está queimada pelo fogo, está cortada; pereceu pela repreensão da tua face. Salmo 80. 16-

O salmista estava perplexo de como a antiga vinha frutífera que era Israel se mostrava agora destruída pelos inimigos dominadores. Sem cercas que limitavam e barravam a entrada dos roubadores das colheitas e dos animais que destruíam as plantas.

A Igreja primitiva não mais existe. O mundo antigo, com exceção de Israel, antes alcançado pelo evangelho, agora vive dominado pelo islamismo. A Europa avivada, berço da Reforma Protestante, agora tem uma igreja que tenta se reerguer em meio às pisadas do relativismo, do ateísmo, dos conceitos da sociedade. A igreja americana também sofre. A Igreja brasileira cresce geometricamente, mas sem profundidade teológica, ética e, consequentemente, compromete sua relevância na sociedade. A brisa do Espírito tem soprado em terras africanas nestes dias, embora ameaçadas pelo islã.

Nestes tempos, o cristianismo autêntico tem grandes desafios a enfrentar para guardar a vinha em meios ao modo de vida contemporâneo: a dependência do desenvolvimento tecnológico, o secularismo, o mundanismo, o relativismo moral, o reducionismo, o surgimento de milhares de seitas, a globalização, o crescimento urbano, a violência, a multiplicação das seitas, os modismos teológicos, a legalização das práticas que ferem a Palavra de Deus. .

Vivemos quadro semelhante aos tempos do povo de Israel relatados pelo salmista. Precisamos reaver a vida da nossa vinha. Assim o salmista clamou em oração:

Seja a tua mão sobre o homem da tua destra, sobre o filho do homem, que fortificaste para ti. Assim nós não te viraremos as costas; guarda-nos em vida, e invocaremos o teu nome. Faze-nos voltar, SENHOR Deus dos Exércitos; faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos. Salmo 80.

Nossa vinha precisa ser guardada para produzir o vinho no lagar e levar a alegria e gozo para todos que usufruem dos seus frutos. Para isso precisa estar cercada, não fechada. As fronteiras que dividem o palácio de Acabe da vinha de Nabote precisam estar demarcadas. As velhas heresias travestidas de modernismos teológicos ou litúrgicos precisam estar do outro lado da cerca.

A torre de vigia da oração, da comparação com a Palavra, do ensino sistemático coerentemente bíblico, o louvor como forma de adoração espontânea e devocional, a contribuição generosa e com alegria, a vontade de evangelizar os perdidos, misturando-se com eles sem sentar-se à mesa de suas ações, enfim, a pregação das boas novas do evangelho em meio a um mundo em caos. Acredito que este seja o caminho. Levar a mensagem genuína do evangelho de Cristo que conduz as pessoas ao arrependimento.


CUIDANDO DO NOSSO MINISTÉRIO

Amado professor da EBD, a luta em defesa da fé e a guarda fiel da vinha do Senhor muitas vezes se torna desgastante à ponto de cogitarmos da ideia de largar tudo, pular fora do barco em plena travessia. Mas o Sumo Pastor Jesus supre todas as necessidades em glória (Filipenses 4.19). Portanto, continue com a mão no arado. Aquele leva a preciosa semente gemendo e chorando voltará com alegria trazendo consigo os seus molhos. Salmo 126.6

Muitas vezes o nosso chamado não encontrou ainda ressonância dentro da Igreja Local. Muitas vezes fazemos muitas atividades na obra do Senhor em prol do serviço eclesiástico que demanda e carece de nós. Mas precisamos despertar o dom de Deus que nos foi dado e aperfeiçoá-lo para e no tempo certo ministrar a outros.
Deus não deixa a sua vinha sem guardiães.

Os líderes espirituais do povo israelita à época de Jeremias se tornaram repreensíveis e responsáveis pela dispersão das ovelhas:

Muitos pastores destruíram a minha vinha, pisaram o meu quinhão; tornaram em desolado deserto o meu quinhão aprazível. Jer. 12.10; Os pastores se embruteceram, e não buscaram ao Senhor; por isso não prosperaram, e todos os seus rebanhos se acham dispersos. Jer.10.21; Ovelhas perdidas têm sido o meu povo; os seus pastores as fizeram errar, e voltar aos montes; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar de seu repouso. Jer. 50.6.

As vinhas precisam ser cuidadas por verdadeiros obreiros, chamados, vocacionados e separados para a obra do ministério de cuidar da vinha. Cada qual permaneça na vocação em que foi chamado (I Coríntios 7:20) , a fim de corresponder às necessidades da Igreja do Senhor.

Assim, o apóstolo Paulo aconselhou aos que tem chamada para o ensino, como bons despenseiros do Senhor (I Co. 4.1 e 2), que se dediquem ao ensino (Rom. 12.7). Ensinando a tempo e fora de tempo. Para isso é preciso se preparar, persistindo em ler, exorta e ensinar.  (I Tim. 4.13) Somos, professores da EBD, juntamente com o ministério, cultivadores da vinha do Senhor que precisa se cuidada, adubada, vigiada e guardada com a boa e genuína Palavra do Senhor para que os membros se tornem multiplicadores desta verdade:

E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros. 2 Tim. 2.2

Enfim, que cumpramos o nosso ministério de ministrar o ensino bíblico de maneira fiel, sem interesses pessoais ou manipulações conforme o Senhor já nos exortou através de Paulo na carta a Timóteo (2 Tim 2.1-5):

Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.  Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.  Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.


LUGAR DE ARREPENDIMENTO

Acabe agiu de maneira precipitada, interesseira e inconsequente. Como resposta de suas ações que o caracterizaram como o pior de todos os reis de Israel até então. Deus lhe sentencia à morte:

E falar-lhe-ás, dizendo: Assim diz o SENHOR: Porventura não mataste e tomaste a herança? Falar-lhe-ás mais, dizendo: Assim diz o SENHOR: No lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabote lamberão também o teu próprio sangue. E disse Acabe a Elias: Já me achaste, inimigo meu? E ele disse: Achei-te; porquanto já te vendeste para fazeres o que é mau aos olhos do SENHOR.  Eis que trarei mal sobre ti, e arrancarei a tua posteridade, e arrancarei de Acabe a todo o homem, tanto o escravo como o livre em Israel; E farei a tua casa como a casa de Jeroboão, filho de Nebate, e como a casa de Baasa, filho de Aías; por causa da provocação, com que me provocaste e fizeste pecar a Israel. E também acerca de Jezabel falou o SENHOR, dizendo: Os cães comerão a Jezabel junto ao antemuro de Jizreel.  Aquele que morrer dos de Acabe, na cidade, os cães o comerão; e o que morrer no campo as aves do céu o comerão.  I Reis 21. 19 a 24.

Acabe, no entanto, busca a Deus em arrependimento:

Sucedeu, pois, que Acabe, ouvindo estas palavras, rasgou as suas vestes, e cobriu a sua carne de saco, e jejuou; e jazia em saco, e andava mansamente. Então veio a palavra do SENHOR a Elias tisbita, dizendo: Não viste que Acabe se humilha perante mim? Por isso, porquanto se humilha perante mim, não trarei este mal nos seus dias, mas nos dias de seu filho o trarei sobre a sua casa.  I Reis 21.27 a 29.

Os momentos de crise o fizeram retornar ao propósito divino de redenção. Mesmo o mais vil dos reis, Acabe, foi ouvido e alcanço misericórdia, sem, no entanto, deixar de sofrer as penas impostas a Deus por consequência dos seus pecados.

A graça e o perdão de Deu estão disponíveis a todos os homens que ao aceitarem a Jesus passam a viver uma nova vida. No entanto, As marcas, cicatrizes e consequências do pecado ficam não como uma lembrança amarga, mas como um meio de entendimento de que Deus é bom e justo.


GUARDANDO NOSSA HERANÇA

Amados, ao final da nossa jornada como peregrinos na terra poderemos proclamar como o combatente atleta Paulo:

Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda. 2 Timóteo 4.7 e 8.

            Corroborando com a palavra do anônimo escritor aos Hebreus:

Corramos, portanto, com perseverança, a carreira espiritual que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da nossa fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de DEUS. Hebreus 12:2

Seguindo o exemplo de Paulo a exercer a boa milícia da fé e assim acabar a carreira guardando a fé (II Timóteo 4:7), em meio às lutas que a Igreja enfrenta até alcançar a reta final, a pátria futura.

Conservando-nos no amor de DEUS, chegaremos ao alvo, pois esta é a promessa que ele mesmo nos fez, a vida eterna. 1 João 2:25, cruzando assim a linha de chegada na carreira da fé, na confiança de que o Senhor Jesus Cristo já nos preparou um lugar na casa do Pai onde há muitas moradas. João 14.1 a 3.E os reservou a sua herança.

Quando do planejamento para a realização de um Seminário para professores da EBD em nossa congregação, escolhemos como um dos temas de estudo: O Galardão do Ensinador Cristão.

Conjecturamos que o preletor iria desfiar um rosário de recompensas para quem se dedica ao ensino. Nada seria mais justo. Ledo engano. O preletor inspirado pelo Espírito Santo usou a expressão que o Senhor comunicou a Abraão em visão, dizendo: - Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão. … Gênesis 15.1.

O reconhecimento maior e mais proveitoso é a recompensa que o Senhor prometeu: - E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir à cada um segundo as suas obras. Apocalipse 22:12.

A nossa recompensa maior é Ele mesmo. Aleluia. E nós somos Dele:

Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça, Que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência; Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade; Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo; Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória.  Efésios 1:6-15

Que Deus nos ajude a conservar e cultivar nossa vinha a fim de produzir o fruto do Espírito para glória de Deus Pai e livres da cobiça.

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