Crescendo na graça e no conhecimento

Lições 4.o Trimestre 2013

Lições 4.o Trimestre 2013
Conselhos para a vida

Lição 1 - O Valor dos Bons Conselhos
Lição 2 - Advertências Contra o Adultério
Lição 3 - Trabalho e Prosperidade
Lição 4 - Lidando de Forma Correta com o Dinheiro
Lição 5 - O Cuidado com Aquilo que Falamos
Lição 6 - O Exemplo Pessoal na Educação dos Filhos
Lição 7 - Contrapondo a Arrogância Com a Humildade
Lição 8 - A Mulher Virtuosa
Lição 9 - O Tempo para Todas as Coisas
Lição 10 - Cumprindo as Obrigações Diante de Deus
Lição 11 - A Ilusória Prosperidade dos Ímpios
Lição 12 - Lança o teu Pão Sobre as Águas
Lição 13 - Tema a Deus em todo o Tempo

Comentarista:

José Gonçalves - Pastor, Professor de Teologia, Escritor e Vice-presidente da Comissão deApologética da CGADB; Comentarista das revistas de Escola Dominical da CPAD.

6 de setembro de 2011

COMPREENDENDO A CULTURA DO OUTRO PARA INTERAGIR


A ação do evangelho proporciona ao homem que aceita e segue os seus preceitos a verdadeira liberdade (João 13.38)  A liberdade de todo o pecado, e sua influência. Esta influência, o engano e a sedução, tem na maioria das vezes como pano de fundo as expressões culturais do grupo social, na maior parte vezes alimentada pela indústria cultural.

Seria ingenuidade combater as expressões culturais seculares vendo pecado em toda forma de cultura, porém nesse caso é preciso discernimento para separa o joio de trigo e assim examinar criteriosamente, com base na Palavra, as expressões culturais retendo o que é bom. (I Tessalonicenses 5.21) “Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento”. Rom. 12.1.

Além disso, faz-se necessário expressar  a cultura cristã  através da prática de vida e dos meios disponíveis ao se passar por uma mudança do antigo estilo de vida costumeiro.

Percebendo esta necessidade, aliada ao confrontamento ao sectarismo judaizante, o apóstolo Paulo propôs usar da liberdade conquistada ao aceitar o sacrifício vicário de Cristo na cruz para passar a  viver como escravo de todos para assim alcançá-los com a verdade do Evangelho através do processo de aculturação, processo pelo qual duas ou mais culturas diferentes, entrando em contato contínuo, originam mudanças importantes em uma delas ou em ambas:

Paulo se fez de judeu para ganhar os judeus. Olhe que Paulo era judeu de origem mas fora liberto da cultura religiosa judaizante. Também se  fez de fraco para ganhar os fracos; fez-se tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. (I Coríntios 9.19-27)

Este é o princípio básico de conduta de todo pastor, missionário ou evangelizador ao interagir no contexto socio-cultural. Falar a língua do povo. Vestir-se como o povo se veste.  Comer o que o povo come. A ponto de Paulo visitar o panteão, o templo multiuso dos deuses em Corinto e encontrar o lugar reservado ao Deus desconhecido. Esta foi a porta que lhe foi aberta para proclamar as boas novas àquele povo. Atos 17.23. Mostrou que o Deus desconhecido por aquela cultura era o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Pai de nosso Senhor e salvador Jesus Cristo. Interagiu com a cultura local para expressar as verdades do Evangelho.

Para isso é preciso entender a cultura do outro e a esta se adaptar. Conforme o pr. Rick Warren, da Igreja de Saddleback, recomendou em seu livro Igreja com Propósitos, Jesus ensinou aos seus discípulos “ a necessidade de voltarem para a cultura dos que estavam querendo alcançar. Eles precisavam adaptar-se aos costumes da terra, desde que não violassem os princípios bíblicos”. (Warren, 2008, p. 174.)

O pastor David Fisher por sua vez ressaltou em seu livro O Pastor do Séc. XXI  “que todo trabalho de um pastor é uma experiência transcultural” (Fisher, 1999, p.42):

Os pastores não deviam apenas conhecer os seus endereços, mas amar aos seus vizinhos. A adaptação e o respeito cultural têm muito que com o ministério pastoral eficiente do que muita gente pensa .

PERIGOS. Warren afirma que a Igreja precisa fazer pequenas concessões para se atuar em qualquer tipo de cultura.
Questiono no entanto práticas que considero perigosas. Por exemplo, quando igrejas criam escolas de samba, blocos de micareta ou festas raves com rótulo gospel. Reconheço que muitos crentes maduros usem tal estratégia de maneira a ganhar outros para Cristo. O fim seria válido. Entretanto não creio ser este um meio ideal e acredito que também pode ser usado como uma maneira do crente, reprimido pelo “não pode”,  cair na gandaia. Conheço irmãos e irmãs que se envolveram de tal maneira em campanhas políticas que perderam o rumo. Nos shows gospel muitos vão adorar ao Senhor, porém uma boa parte se solta na buraqueira e fazem de tudo que os ímpios fazem e às vezes com maior intensidade.

Mas ainda temos os marcos antigos que precisam ser preservados. Deutoronômio 19.14 e Oséias 5.10; liberdade sim, concordo; libertinagem, jamais. Leia I Coríntios 8.9 e Gálatas 5.13.

ACULTURAÇÃO. O mestre Jesus nos deu o  exemplo maior de aculturação. "a Palavra de Deus se fez homem: aculturou-se, já que o home é um ser cultural." (Padilla, 1992, p.97). pois veio Jesus ao mundo justamente para “ transformas pessoas e grupos étnicos..., significa que Deus leva a sério a  cultura humana.”  (Fisher, 1999), conforme Paulo ratificou ao escrever aos Filipenses,

“Subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar,  mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens;  e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.”
 Filipenses 2.6-8.

Assim em um processo de aculturação com fins evangelísticos a pessoa vive a vida como o outro vive, come-se com publicanos e pecadores, mas sem pecar como o outro peca, para apresentar-lhes o evangelho e a salvação que há em Cristo Jesus. " Ou a mensagem de Deus chega em termos de sua própria cultura, ou não chegará." (Padilla, 1992, p9.4).
Adaptar-se a outra cultura porém não é fácil. Mas é isso que se espera dos comissionados: “ É tarefa do evangelista intercultural aprender a transmitir significados bíblicos mediante formas culturalmente aceitas, fazendo-se a distinção entre “princípios bíblicos permanentes e formas culturais temporais.” (Pate, 1987)

Os pastores dão o exemplo quando assimilam o modus vivendi de suas comunidades, conforme destaca o pastor Fisher. E assim, “A Igreja deve mergulhar profundamente na sua cultura. Aprendendo a nos identificar com  o povo ao qual Deus nos enviou a ganhar.”
Para salvar alguém do poço é preciso saber entrar e sair dele, tendo o cuidado com a doutrina para garantir a salvação de ambos, combatendo com a própria vida contra o pecado. Hebreus 12.4; I Timóteo 4.16.

Referências Bibliográficas:


PADILLA, René C. Missão Integral: Ensaios sobre o reino e a igreja. 1ª edição, São Paulo: FTL-B Temática, 1992;
PATE, Larry D. Missiologia: a missão transcultural da Igreja. 1ª edição, São Paulo: Editora Vida, 1987:
WARREN, Rick. Uma Igreja com Propósitos. Tradução de Carlos de Oliveira. 2ª edição revista e atualizada. São Paulo: Editora Vida, 2008;
FISHER, David. O Pastor do Século 21. 1ª edição. São Paulo: Editora Vida, 1999.

Um comentário:

Esdras Neemias dos Santos disse...

Caro irmão João Ribeiro, neste domingo estaremos falando um pouco sobre a influência cultural da igreja, não é isso mesmo? Uma cultura que o apóstolo Pedro definiu como: “geração eleita, sacerdócio santo,...”. Paulo de certo tinha maturidade e direcionamento para usar esta estratégia, conhecia muito bem a “sua cultura”, assim, poderia procurar entender melhor as “outras culturas” para poder tentar ganhar alguns, e “ganhou muitos” pela graça de Deus. Entretanto, acredito que hoje em dia precisamos cada vez mais se lembrar dos ensinamentos de Jesus, quando Ele dizia: ”Todavia no princípio não foi assim”. As coisas estão mudadas e não se sabe mais qual a verdadeira identidade da igreja. Assim sendo, como iremos influenciar? Influenciar o quê?
Um abraço,
Esdras Neemias dos Santos

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