Crescendo na graça e no conhecimento

Lições 4.o Trimestre 2013

Lições 4.o Trimestre 2013
Conselhos para a vida

Lição 1 - O Valor dos Bons Conselhos
Lição 2 - Advertências Contra o Adultério
Lição 3 - Trabalho e Prosperidade
Lição 4 - Lidando de Forma Correta com o Dinheiro
Lição 5 - O Cuidado com Aquilo que Falamos
Lição 6 - O Exemplo Pessoal na Educação dos Filhos
Lição 7 - Contrapondo a Arrogância Com a Humildade
Lição 8 - A Mulher Virtuosa
Lição 9 - O Tempo para Todas as Coisas
Lição 10 - Cumprindo as Obrigações Diante de Deus
Lição 11 - A Ilusória Prosperidade dos Ímpios
Lição 12 - Lança o teu Pão Sobre as Águas
Lição 13 - Tema a Deus em todo o Tempo

Comentarista:

José Gonçalves - Pastor, Professor de Teologia, Escritor e Vice-presidente da Comissão deApologética da CGADB; Comentarista das revistas de Escola Dominical da CPAD.

18 de fevereiro de 2010

SANTIFICAÇÃO – ATO E PROCESSO - Lição 08

Etimologia do termo

Conforme o teólogo e escritor J.I. Packer, o Novo testamento tem duas palavras traduzidas como santidade:

Hagiasmos – santificação, ligada ao adjetivo hagios, santo, e o verbo hagiazõ, “santificar”. Tem como significado a condição de alguém ser separado para Deus, sendo uma via de mão dupla: do lado humano, consagrado para o serviço; do lado divino, aceito para o uso;

Hosiotês e o adjetivo relativo hosios, expressando uma qualidade intrínseca moral e espiritual, a de ser ao mesmo tempo, reto e puro, por dentro e por fora, diante de Deus.
Desta forma, Packer considera que santidade seja a conjugação destes dois termos.

Compreensão do termo

Conforme Francis Foulkes em seu comentário da Carta aos Efésios, o significado do termo santo só pode ser inteiramente compreendido ao se refletir acerca do seu sentido no Antigo Testamento. Assim, o tabernáculo, o templo, o sábado e o próprio povo eram santos por serem consagrados, separados, para o serviço de Deus.

Para se tentar entender melhor a extensão do assunto, pode-se começar pelo primeiro passo dado por Deus em favor dos homens que, ao receberem a Cristo como salvador, Deus, o Pai, os fez idôneos para participar da herança dos santos na luz, e os libertou do império das trevas e os transportou para o reino do Filho do Seu amor (Colossenses 1.12 e 13). Liberto, portanto do mundo e suas concupiscências, valores, conceitos, paradigmas e tudo mais que esteja sob a influência do príncipe das trevas deste século. Pelo alto preço do resgate pago por Cristo Jesus na cruz do calvário, agora estão libertos e, portanto, separados, do poder do pecado e da morte, considerados santos.

Packer cita o entendimento de santificação expresso no catecismo de Westminster como “ a obra da gratuita graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o homem, segundo a imagem de Deus, e capacitados cada vez mais para morrermos para o pecado e vivermos para Deus.”

De acordo com pensamento de alguns teólogos, esta nova condição é chamada de santificação posicional e instantânea, ação de Deus simultânea à justificação do cristão convertido, conforme conceitua Myer Pearlman, na obra Conhecendo as Doutrinas da Bíblia.

O comentário da Bíblia Anotada reforça o conceito santificação posicional quando o homem é separado como um membro da família de Deus. Na verdade somos gerados de novo pelo lavar renovador e regenerados do Espírito Santo. Assim nos tornamos filhos de Deus está é nossa posição de filho. Nossa reação quanto a esta condição, no entanto, depende de uma resposta do homem, ao que se pode chamar de santificação prática, existencial e progressiva.

Gordon McDonald, na obra Ponha Ordem no Seu Mundo Interior, ilustra esta idéia citando o exemplo da compra de um terreno para construção de uma casa de campo. O local escolhido para a edificação, porém estava repleto de rochas que, a muito custo, foram removidas. Ao tirar as grandes rochas, percebeu que sempre surgiam pequenas pedras que tinha que remover dia após dia. E assim demonstrou a necessidade de estarmos sempre sondando o nosso interior e removendo as pedras indesejáveis.

No mundo corporativo, os japoneses criaram uma ferramenta de gestão bastante prática o chamado 5S. O primeiro S refere-se à identificação de tudo quanto é supérfluo, inútil e que pode e deve ser removido de um ambiente de uma organização que deseja trabalhar com eficácia.

Muitos textos neotestamentários também condicionam a santificação como processo contínuo, tarefa de toda uma vida. Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor (Hebreus 12.14), e muito mais.

O comentário de Paulo aos Coríntios reforça a idéia da relação da santidade como tomada de atitude de responsabilidade pessoal a fim de assumirem a posição de filhos, quando conclama aos coríntios a romperem com a participação conjunta nas ações idólatras e de comprometimento com os incrédulos:

“Que harmonia há entre Cristo e o maligno? ou que parte tem o crente com o incrédulo? E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos? Pois nós somos santuário de Deus vivo, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Pelo que, saí vós do meio deles e separai-vos, diz o Senhor; e não toqueis coisa imunda, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso.” II Coríntios 6.15 a 18.

Mas este rompimento com o império das trevas não significa uma fuga para o ascetismo (isolamento do mundo). O próprio Paulo escrevendo aos mesmos coríntios alerta que não deveríamos romper relações não com as pessoas ímpias, isto só seria possível se deixássemos de viver no mundo. Ele aconselha isto sim a rompermos relações com aqueles que se dizem cristãos e não são. Hoje parece que os papéis ainda estão invertidos.

Este processo, porém não depende única e exclusivamente do esforço humano, seria tolice. Jesus alertou: Sem mim nada podereis fazer; Orando em favor de seus discípulos e daqueles que haviam de Nele crer, pediu a Deus para que não os tirasse do mundo, mas que os livrasse do mal.

Resgatados do império das trevas, somos então renovados, aparelhados e enviados de volta, vejam só, para ajudar no resgate de outros que ficaram detidos nas cadeias do adversário. Santificação para dedicação ao uso exclusivo do Senhor.

Somos a geração eleita, a nação santa, separada, para que? Para voltarmos ao meio de onde viemos, aborrecendo a roupa manchada para combater contra o pecado. Os libertos das trevas agora são luz no Senhor, santificados, para resplandecer a luz do evangelho de Cristo onde for preciso.

Assim sendo, conforme Faulkes, a santidade tem simultaneamente os sentidos de privilégio e de responsabilidade da chamada de cada cristão, e não a capacitação de poucos.

Finalmente alcançaremos a santificação futura ou definitiva, conforme ao comentário da Bíblia Anotada, quando cessará a luta da carne contra o espírito, ao assumirmos a posição de ressurretos em corpos gloriosos.

Considerações Finais

Enquanto este dia não chega, deixando todo o embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia, prossigamos para o alvo, conforme encorajou o escritor aos Hebreus. Pedimos emprestada a citação de Peter Williamson que afirma que alguns cristãos trazem consigo uma tabuleta com a inscrição: Por favor, tenham paciência – Deus não terminou a Sua obra em mim, ainda.

BIBLIOGRAFIA:

PACKER, J.I. Na Dinâmica do Espírito - Uma Avaliação das Práticas e Doutrinas. 1.a ed, p.91-164. São Paulo: out 1991, Edições Vida Nova.

RYRIE, Charles Caldwell. A Bíblia Anotada. 1ª. ed, p. 1656. São Paulo: 1991, Editora Mundo Cristão.

PYEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, 25ª impressão, p. 161-163. São Paulo: 1997, Editora Vida.

FOULKES, Francis. Efésios – Introdução e Comentário, Série Cultura Bíblica, 4.a reimpressão, p. 37. São Paulo: 1993. Editora Mundo Cristão, Edições Vida Nova.

MACDONALD,Gordon.Ponha Ordem no Seu Mundo Interior, 1.a ed, p. 156. Belo Horizonte: 1983. Editora Betânia.

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